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Igor Pinheiro

C.E.O da Inova Civil
Ativo 17

Normatização BIM Brasileira e Internacional – Por que é tão importante?

Você sabia que já existem normas BIM em utilização no Brasil? A metodologia BIM é a principal tecnologia utilizada atualmente para a industrialização na construção civil. 

Sendo uma metodologia já consolidada em diversos países do mundo e em forte expansão no Brasil, o governo e as entidades reguladoras estão se empenhando no desenvolvimento de estratégias para regular e normatizar a aplicação da tecnologia. 

Nesse post vamos entender sobre quais são as normas no Brasil e no mundo e entender os principais tópicos aportados nelas. 

Se você quer entender o que é a metodologia BIM e como ela funciona acesse: BIM: Tudo o Que Você Precisa Saber Sobre a Metodologia

  1. Por que a normatização BIM é tão importante? 

A indústria da construção civil, assim como todas as outras indústrias, necessita de uma grande quantidade de informações, pessoas e processos envolvidos. 

Existe uma gigantesca quantidade de projetos, orçamentos, cronogramas e diversos outros documentos relacionados às edificações em construção e já construídas, mas isso ainda está em processo de industrialização. 

Quando comparamos a construção civil com outras indústrias, como a automobilística, podemos perceber que a  padronização, produtividade, controle de qualidade, quantidade de tecnologia empregada e industrialização dos processos dentro da construção civil ainda é muito menor. 

Atualmente, a metodologia BIM é a ferramenta de maior potencial para ajudar na industrialização da construção civil, trazendo maior integração entre as informações, processos e profissionais envolvidos. 

Mas para que o BIM possa se consolidar no país e ajudar no crescimento da construção civil brasileira é necessário um amadurecimento do uso da tecnologia e esse amadurecimento passa pela produção e consolidação de documentos, protocolos, guias e normas que normalizam o uso da metodologia em nosso país. 

Sempre que uma nova tecnologia surge na construção civil, ela deve ser regulamentada para que o seu uso possa ocorrer de forma homogênea por todos que estiverem fazendo uso.

Essa regulamentação tem forte impacto na adoção da metodologia e é a principal orientação para a produção de contratos. 

Imagine que você vai contratar ou foi contratado para executar um projeto em BIM, qual deve ser o nível de detalhamento deste projeto? Quais informações devem estar presentes? Como é a classificação desse projeto? 

Imagine que um projetista cobrou 15 mil pelo projeto e outro cobrou 8 mil, como saber se os dois projetos têm o nível de detalhamento que o contratante necessita? 

Sem que os projetos tenham uma classificação e definição do que tipo de projeto deve entregar, essa comparação se torna algo extremamente complexo.

Se não existir normatização, cada empresa fará o uso da metodologia de forma particular e de acordo com o seu próprio entendimento, gerando grandes gargalos na padronização e integração da tecnologia. 

Normalizar o uso da metodologia BIM é essencial para que todos os usuários “falem a mesma língua” e assim seja possível promover a padronização dos processos e integração das informações necessárias para industrializar a construção civil. 

  1. Normatização BIM no Brasil

O início da normatização BIM no Brasil se deu por uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, quando em 2009 foi criada a Comissão de Estudo Especial de Modelagem de Informação da Construção, com o objetivo de desenvolver normas técnicas sobre a metodologia BIM. 

Inicialmente foram definidas três atividades essenciais para a comissão: 

– Tradução da norma ISO 12006-2

– Desenvolvimento de um sistema de classificação para construção

– Desenvolvimento de diretrizes para a criação de componentes BIM 

  • Tradução da norma ISO 12006-2

Foi publicada no ano seguinte(2010) a norma ABNT NBR ISO 12006-2010 – Construção de Edificação – Organização de informação da Construção – Parte 2.

Essa parte da ISO 12006 estabelece uma estrutura para orientar o desenvolvimento dos diferentes sistemas de classificação para o setor da construção. Ela indica um conjunto de tabelas, títulos e seus relacionamentos lógicos, em que cada tabela representaria uma uma classe de forma ou função. 

  •  Desenvolvimento de um sistema de classificação para construção e desenvolvimento de diretrizes para a criação de componentes BIM 

Nessa segunda ação foi desenvolvida a primeira norma técnica BIM brasileira, a NBR 15965. Essa norma é um sistema de classificação das informações que fornece à indústria da construção formas de padronizar a nomenclatura utilizada nos seus processos para qualquer parte do país. 

A ABNT NBR 15965 é composta por 13 tabelas, seu desenvolvimento foi/está sendo realizado a partir das 15 tabelas OmniClass (um sistema de classificação aberto criado para o mercado da construção da América do Norte).

A partir desse texto base estão sendo removidos itens que são mais presentes na indústria da construção norte americana e incorporados soluções construtivas, técnicas e componentes tipicamente utilizados no Brasil. 

Essa norma é composta por 7 partes, sendo: 

  • Parte 1: Terminologia e estrutura
  • Parte 2: Características dos objetos da construção
  • Parte 3: Processos da construção
  • Parte 4: Recursos da construção
  • Parte 5: Resultados da construção
  • Parte 6: Unidades e espaços da construção
  • Parte 7: Informação da construção

2. Normatização BIM internacional (A Série ISO 19650: padrões internacionais para uso de BIM)

A ISO 19650 estabelece os padrões internacionais para aplicação e implementação BIM. Essa ISO trata da organização e digitalização de informações sobre obras, incluindo a modelagem e gestão das informações do projeto com o BIM. 

Essa série é dividida em 5 partes:

• Parte 1 – Conceitos e princípios (já traduzida) 

• Parte 2 – Fase de entrega de ativos (já traduzida) 

• Parte 3 – Fase de operação de ativos 

• Parte 4 – Troca da informação. 

• Parte 5 – Segurança para gestão da informação.

Atualmente, no Brasil, já estão traduzidas as partes 1 e 2. 

ISO 19650 – Parte 1: Perspectiva dos estágios de maturidade da gestão da informação analógica e digital 

Os estágios de maturidade são 4, classificados de 0 a 3 conforme ilustrado abaixo.

  • Nível 0: Informação sem estrutura; documentos físicos

Esta é uma etapa pré-BIM, nela a documentação e obtenção de informações é feita com a elaboração de desenhos bidimensionais e desvinculados da produção e extração de informações – quantidades, estimativas de custos e especificações não estão relacionadas ao modelo de visualização. 

As práticas colaborativas entre agentes não são priorizadas.

  • Nível 1: Informação estruturada; 2D/3D

Se enquadram nesse nível empresas usam software para produzir modelos BIM, mas, as práticas colaborativas permanecem similares às do nível anterior. 

São mantidos os mesmos padrões de relações contratuais, alocação de riscos e comportamento organizacional.

  • Nível 2: Modelos de informação federados; pacotes de entregas baseados em arquivos

Esse nível compreende o trabalho colaborativo em modelos de projeto digital, semânticos e paramétricos. 

Os participantes do projeto usam suas ferramentas escolhidas para produzir modelos com informações técnicas incorporadas.

A colaboração existe, principalmente, por meio do intercâmbio dos modelos geométricos e suas informações entre os diferentes agentes, em um modelo federado.

  • Nível 3: Dados baseados nas informações dos modelos BIM; pacote de entregas baseadas em dados

Esse nível é algo ainda distante da realidade do setor da construção, mas é o caminho para o desenvolvimento do setor. 

Aqui todas as informações e dados devem ser extraídos de um único modelo BIM que foi desenvolvido colaborativamente e compartilhado em todo o processo de projeto e entre todas as disciplinas.

Nível de maturidade BIM - ISO 19650-Parte 1 | Normatização BIM
Figura 1 

Um dos tópicos mais importantes dessa norma é o item 5 da parte 1 que trata dos requisitos de informação e entregáveis. Na figura abaixo contém um resumo deste item.

Requisitos de informação e entregáveis ISO 19650-Parte 1 | Normatização BIM
Figura 2

ISO 19650 – Parte 2: 

Aqui estão apresentadas as recomendações para o gerenciamento de informações, para a estrutura de trabalho necessária, e diretrizes para troca, arquivamento, versionamento e organização da informação produzida, compreendendo todos os envolvidos (proprietário, cliente, gestor, equipes de projetos, equipes de obras, etc.)

A Figura 3 ilustra o escopo abordado pela ISO 19650-2, referente a gestão de informações, bem como outras normalizações relevantes à gestão organizacional, de ativos e de projetos.

Escopo ISO 19650 - parte 2 | Normatização BIM
Escopo ISO 19650 - parte 2 | Normatização BIM
Figura 3

Nas diretrizes apontadas pela ISO 19650-2 para o “Processo de gestão

de informações durante a fase de entrega de ativos”, está o estabelecimento de padrões de informação do projeto pelo contratante (appointing party). 

Esses padrões estabelecidos devem prever formas de estruturação e classificação da informação. 

Define-se na ISO 19650 que a classificação da informação nos processos deve acontecer de acordo com as diretrizes da ISO 12006-2, e que, para dar suporte a trocas de objetos, a informação de objetos deve estar de acordo com a ISO 12006-3.

De acordo com o No documento da ISO 19650-2, devido à grande variedade de tipos de empreendimentos, as definições e orientações desta norma devem ser adaptadas às características de cada situação. 

Não existe um método único recomendável para se usar BIM em todos os empreendimentos, cada time deve desenvolver sua estratégia, e fornece um conjunto estruturado de procedimentos para auxiliar o desenvolvimento de um Plano de Execução BIM – BIM Project Execution Plan.

Referências: 

Figura 1 – Disponível em: < https://www.researchgate.net/figure/Figura-7-Nveis-de-maturidade-BIM_fig5_327285344 >;

Figura 2 – Adaptado da palestra ISO 19650 e padrões para implementação do BIM |Disponível em: < https://youtu.be/wEUvdMhydK4 >.

Figura 3 – Oliveira , Giovana G. Martin. Classificação da informação da construção em BIM: panorama e normalização

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