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Igor Pinheiro

C.E.O da Inova Civil
Ativo 17

As Patologias Mais Comuns nas Estradas

      O sistema rodoviário é o principal sistema de transporte brasileiro e o Brasil possui a quarta maior rede de estradas do mundo. Mas, apesar de serem extremamente importantes para o funcionamento de todo o país, especialmente para as atividades econômicas, a quantidade de patologias nessas estradas é enorme e a qualidade delas muitas vezes deixa a desejar.

Figura 1 – trincas em pavimento asfáltico.

      Boa parte das estradas brasileiras são pavimentadas, mas devido a ocorrência de muitas patologias essas estradas possuem uma qualidade muito baixa, então é importante que os profissionais conheçam quais são os principais problemas que afetam esse sistema de transporte.

      Vamos começar entendendo quais são dois tipos de pavimentos mais utilizados no Brasil, que são os pavimentos rígidos e os flexíveis.

Pavimentos flexíveis: o material mais comum para esse tipo de pavimento é o asfalto. Eles possuem uma estrutura com diversas camadas que resistem e distribuem os esforços aplicados na faixa de rolamento, que é a faixa que tem contato direto com os usuários da via. Nesse tipo de pavimento todas as camadas sofrem deformações elásticas significativas, por isso a se distribui em parcelas que são aproximadamente equivalentes em todas as camadas (concentrando a região de aplicação da carga).

Pavimentos rígidos: os pavimentos rígidos geralmente são feitos com concreto, portanto são mais rígidos e absorvem mais os esforços. Diferentemente dos pavimentos flexíveis, eles distribuem as cargas em uma área maior, ao invés concentrá-las em um único ponto e nas camadas inferiores.

      A maior parte das estradas brasileiras utilizam pavimentos do tipo flexível, então vamos falar um pouco sobre as principais patologias desse tipo de pavimento.

DEFEITOS FUNCIONAIS

EXSUDAÇÃO DE ASFALTO

      A exsudação do asfalto forma um filme de material betuminoso na superfície dos pavimentos dando um aspecto brilhoso. Geralmente ocorre devido a presença de ligantes em excesso, quando a temperatura está elevada o asfalto se dilata e esse ligantes, devido a dificuldade de ocupar espaços vazios ou por estarem em excesso, migram para a superfície do pavimento.

Figura 2- Exsudação
Figura 3 – Detalhe de exsudação

DESGASTE

     O desgaste ou desagregação é o desprendimento de agregados da superfície ou perda de mástique aos agregados. Ele está diretamente relacionado as ações do tráfego e do intemperismo. Geralmente, as principais causas são a utilização de materiais não apropriadas, erros no processo de construção ou má ligação entre os componentes da mistura betuminosa utilizada.

Figura 4 – Desgaste

ESCORREGAMENTO DO REVESTIMENTO BETUMINOSO

      O escorregamento consiste no deslocamento do revestimento em relação as suas camadas subjacentes causando o aparecimento de fendas em meia lua. Sua principal causa é a falta de aderência a camada de base ou a baixa resistência da mistura asfáltica, geralmente, acontece em locais de intersecções e frenagem, pois o veículo causa o deslizamento ou a deformação do asfalto.

Figura 5 – Escorregamento do revestimento

FENDAS: FISSURA E TRINCA

      As fendas e fissuras são qualquer descontinuidade na superfície do pavimento que cause aberturas de pequenos ou grande porte. Elas podem se apresentar de diversas formas, vamos falar um pouco sobre as principais.

FISSURA

      São fendas inicias que ainda não chegam a causar problemas funcionais ao revestimento, por isso não são consideradas graves nos métodos atuais de avaliação da superfície. Elas são fendas capilares que são perceptíveis, a olho nu, somente a distâncias iguais ou superiores a 1,5 metros.

TRINCA

      As trincas são facilmente visíveis a olho nu e possuem aberturas superiores às das fissuras e podem ser isoladas, interligadas, de retração ou trinca tipo bloco.

      As trincas isoladas se dividem em transversais e longitudinais. As trincas isoladas transversais apresentam, predominantemente, direção perpendicular ao eixo da via, já as longitudinais apresentam-se, em sua maioria, em direção paralela ao eixo da via. Quando a extensão dessas trincas é de até 100 centímetros, elas são consideradas curtas, quando a extensão é superior a 100 cm elas são chamadas de longas.

Figura 6 – trincas

      As trincas interligas também são conhecidas como trinca tipo couro de jacaré, elas são um conjunto de trincas interligadas que não apresentam direções predominantes. Elas podem ou não apresentar erosão acentuada em suas bordas.

Figura 7 – Trincas interligas

      As trincas de retração são trincas isoladas, mas que não têm suas causas atribuídas aos fenômenos de fadiga do revestimento, a sua causa é na verdade a retração térmica do asfalto ou do material que compõe as camadas de base subjacentes ao revestimento trincado.

Figura 8 – trinca de retração.

      As trincas tipo bloco é um conjunto de trincas interligadas que se caracterizam por sua configuração que forma blocos bem definidos (apresentam formato similar ao de um retângulo com áreas que variam de 0,1 m² à 10 m²) que podem apresentar erosão acentuada nas bordas ou não. Elas são causadas por variações diárias de temperatura e podem aparecer em qualquer região do pavimento.

Figura 9 – trinca tipo bloco.

AFUNDAMENTO

      Os afundamentos são deformações caracterizadas por depressões da superfície do pavimento, eles podem apresentar-se de dois modos: afundamento plástico ou afundamento de consolidação.

      O afundamento plástico é causado pela fluidez de uma ou mais camadas do revestimento ou das camadas subjacentes. Normalmente, são causadas por falhas na execução da obra, principalmente, compactação mal feita. Quando a sua extensão é menor que 6 metros são denominados afundamentos plásticos locais. Se a extensão for superior a 6m e estiver localizada ao longo da trilha de roda, são chamados de afundamentos plásticos da trilha de roda.

Figura 10
Figura 11

      Os afundamentos de consolidação são denominados afundamentos de consolidação local se sua extensão for menor que 6 metros e afundamentos de consolidação da trilha de roda se sua extensão for superior a 6m e estiver localizado sobre a trilha de roda. Eles são causados por consolidação diferencial de uma ou mais camadas de base do pavimento ou do subleito.

Figura 12

PANELAS

      As panelas, também conhecidas como buracos, são cavidades (buracos) que se formam no revestimento asfáltico. Elas são avanços de trincas, afundamentos ou desgastes. Esses buracos aparecem em maior quantidade no período chuvoso, pois o desagregamento ou amolecimento das camadas do pavimento ocorrem devido a compressão da água.

Figura 13

REMENDOS

      Os remendos são patologias relacionadas a conservação da superfície, eles consistem no preenchimento de panelas, ou qualquer outro buraco ou depressão, com massa asfáltica. O problema é que na maioria das vezes esse remendo é mal executado e fica em desnível com o pavimento gerando desconforto para os usuários da via.

Figura 14

REFERÊNCIAS

(Bariani Bernucci, Goretti da Motta, Pereira Ceratti, & Barbosa Soares, 2008). Pavimentação asfáltica – formação básica para engenheiros. Rio de Janeiro.  Disponível em: < http://www.ufjf.br/pavimentacao/files/2018/03/Cap-9-Diagn%C3%B3stico-de-defeitos-avalia%C3%A7%C3%A3o-funcional-e-de-ader%C3%AAncia.pdf >.

Tipos de patologia do asfalto em rodovias – Disponível em : < http://dynatest.com.br/tipos-de-patologia-do-asfalto-em-rodovias/ >.

Conheça os 13 principais defeitos do pavimento das rodovias – Disponível : <https://www.cnt.org.br/agencia-cnt/conheca-principais-defeitos-pavimento >.

Resende Godoi, Deise Lorena. Patologias: Estradas e pavimentação – Disponível em: < https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/patologia-estradas-e-pavimentacao >.

Figura 1 – Cassin Antunes, Guilherme. PATOLOGIAS EM ESTRADAS OCORRIDAS POR COMPACTAÇÃO DEFICIENTE. FACULDADE DE CIÊNCIAS GERENCIAIS DE MANHUAÇU.

Figuras 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 – (Bariani Bernucci, Goretti da Motta, Pereira Ceratti, & Barbosa Soares, 2008). Pavimentação asfáltica – formação básica para engenheiros. Rio de Janeiro.  Disponível em: < http://www.ufjf.br/pavimentacao/files/2018/03/Cap-9-Diagn%C3%B3stico-de-defeitos-avalia%C3%A7%C3%A3o-funcional-e-de-ader%C3%AAncia.pdf >.

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